sábado, 29 de agosto de 2009

Belo Horizonte usará articulados

Previsões de especialistas menos pessimistas apontam que o trânsito de Belo Horizonte pode ficar impraticável dentro de oito anos. Para tentar evitar que isso aconteça, as apostas da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), dentro do Programa de Metas e Resultados, que será anunciado hoje, são o Programa Corta Caminho e a implantação do sistema de Transporte Rápido por Ônibus (TRO).

FOTO: DIVULGAÇÃO SCANIA DO BRASIL
Considerada a cria mais bem-acabada do modelo curitibano de ônibus de alta capacidade, o sistema Bus Rapid Transit (BRT), ou Transporte Rápido por Ônibus (TRO), como vem sendo chamado em Belo Horizonte, é mais uma meta estabelecida para a Copa do Mundo de 2014. O novo sistema, que terá, inicialmente, 70 quilômetros de linha, deve funcionar em 2012 e aproveitará a ampliação da Avenida Antônio Carlos, por meio de canaletas e estações de embarque e desembarque operadas por um sistema inteligente. Na sua operação, são utilizados veículos de alta capacidade, vias exclusivas, terminais de embarque e desembarque em nível e pagamento antecipado de passagens. A previsão é que o sistema também seja estendido do centro da capital até a MG-10, na Região de Venda Nova, onde começa a funcionar, ainda neste ano, o novo Centro Administrativo do Governo do Estado.

O diretor de Planejamento da BHTrans, Célio Bolda de Freitas, informou que já está em curso a licitação de projeto técnico para implantação do TRO na Antônio Carlos, cujas obras de duplicação de trechos deverão ser concluídas no próximo ano, e na Avenida Pedro I, cujas obras de duplicação serão iniciadas em 2010. A licitação em questão, segundo o diretor, deverá ser definida até o final de setembro. "São estudos que indicarão a frequência de passageiros, o tipo de ônibus ideal a ser usado nesse sistema, assim como as plataformas de embarque e desembarque", disse. "As obras serão iniciadas já no próximo ano", acrescentou. O valor da tarifa ainda não foi definido.

Além da Avenida Antônio Carlos, o novo sistema deverá ser operacionalizado também nas avenidas Cristiano Machado e Amazonas, passando pela Região do Barreiro, até chegar ao centro da cidade. Outras rotas previstas são as avenidas Tereza Cristina e Contorno, também até o Centro. "A ideia é integrar o sistema a estações de metrô, sem interferência dos ônibus convencionais", disse Freitas. Os ônibus que vão operar no novo sistema serão articulados ou biarticulados (que possuem duas articulações sanfonadas, proporcionando um comprimento maior - equivalente a três veículos convencionais – e, consequentemente, uma maior capacidade de transporte de passageiros), com operação similar à do metrô. O novo sistema não implicará instalação de trilhos. "Com a implantação do TRO, teremos um sistema de ônibus operando com capacidade próxima à do metrô, em pista exclusiva, embarque em nível e o pagamento da tarifa feito em estações de acesso", afirmou o diretor.

Modelo de BH é similar ao de Bogotá

Modelo similar ao projeto da PBH, atualmente em funcionamento, é o Transmilênio, em Bogotá, na Colômbia. O mesmo projeto está sendo viabilizado em cidades-sede da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Desenvolvido na década de 1970 em Curitiba, na gestão do então prefeito Jaime Lerner, o modelo é uma espécie de "metronização" do ônibus. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra), Iraci de Assis Cunha, o novo sistema "é a solução para o transporte do futuro em todo o mundo". Ele acredita que a oferta dessa nova modalidade de transporte público não vá impactar no sistema convencional – até porque quem deverá operá-lo são empresas ligadas à entidade. "Certamente será um sistema integrado ao que já existe", disse.

No último Seminário da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), o arquiteto e urbanista Jaime Lerner defendeu que o sistema de ônibus de alta capacidade é a solução ideal para a mobilidade em 40 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes. O projeto de Lerner prevê um investimento público de R$ 6 bilhões para que, em cada uma dessas cidades, sejam construídos dois eixos de vias exclusivas para ônibus, a exemplo das que existem em Curitiba.

No seminário, Lerner ressaltou que é importante que o sistema seja bem operado, com vias exclusivas para ônibus troncais, integração com alimentadores, embarque e desembarque em estações fechadas em nível, pagamento antecipado da passagem, faixa de ultrapassagem e frequência bem dimensionada.

Uma das propostas mais importantes para BH é o Corta Caminho, lançado no ano passado pelo então prefeito Fernando Pimentel com o nome Programa de Estrutura Viária de Belo Horizonte (Viurbs). Do conjunto de 148 intervenções propostas, 13 deverão ter os projetos concluídos até o mês de outubro.

Um dos destaques é a criação de 17 travessias no Anel Rodoviário. O prefeito Marcio Lacerda sinaliza também com a criação de um novo traçado viário, que abrangeria a BR-040, saindo da Mina Águas Claras, desativada em 2002, passando por Nova Lima, pelo Anel Rodoviário até Sabará. A intervenção não tinha sido detalhada, mas especula-se que vai beneficiar os moradores de um condomínio que será construído pela Vale no entorno da antiga mina. O empreendimento, aguarda licenciamento ambiental e ainda não tem acesso para o trânsito de veículos. A assessoria de imprensa da Vale informou que está negociando a abertura de vias com a PBH, sem dar mais detalhes.

O consultor de trânsito Paulo Rezende, da Fundação Dom Cabral, avalia que a ampliação do sistema viário é a contrapartida urgente e necessária para amenizar os impactos causados pelo aumento excessivo do número de veículos nas ruas. Hoje, a frota em BH é de 1,3 milhão de veículos. "Dentro de oito anos poderemos chegar ao nível de lentidão permanente no trânsito, ou seja, congestionamento o dia inteiro", alerta.

O especialista diz ainda que a abertura de rotas vai atrair as concessionárias de ônibus, que são estimuladas por receberem subsídios da BHTrans para os custos operacionais. Já o vereador Wagner Messias, o Preto (DEM), afirma que a captação de recursos precisa ser priorizada. O projeto de implantação das garagens subterrâneas em vários pontos da cidade, a ser explorada pela iniciativa privada e que já vem despertando o interesse de construtoras e outras empresas, também deverá ser detalhado hoje pelo prefeito.

E ontem, um caminhão parado por problemas mecânicos e sinais de trânsito apagados por falta de energia, provocada pela chuva, causaram um engarrafamento de uma hora e meia no trânsito na Avenida Senhora do Carmo, no Sion, na Região Centro-Sul. No início da noite de ontem, o Viaduto Castelo Branco também ficou congestionado. O gerente de Controle e Operações da BHTrans, Fernando Pessoa, informou que, no período chuvoso, a BHTrans irá intensificar suas operações de fiscalização em conjunto com a Polícia Militar e a Guarda Municipal.
Reportagem: Revista do ônibus, Com informações:Jornal Hoje em Dia

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