terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Traficantes do Rio ameaçam Sérgio Cabral e os jogos Olímpicos de 2016

Em um vídeo postado semana passada na internet e que já ganhou pelo menos 28 versões diferentes, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, aparece sob a mira de um fuzil em uma montagem grosseira, intercalada com o logotipo do Jogos Olímpicos de 2016, que tem como trilha sonora um funk de 2min49s, intitulado Sérgio Cabral: se ficar de K.O., as Olimpíada não vai rolar (sic). 

O funk já integra o repertório de diversos sites de distribuição gratuita de músicas e é líder de downloads. A ameaça do autor - que se identifica no vídeo como MC Dudu e aparece nas imagens fazendo poses com arma em punho - explodiu na internet na mesma semana em que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou o treinamento de resgate de reféns, supervisionado pelos policiais da Raid (França), especializados em antiterrorismo. 

A letra faz apologia às facções criminosas que abateram um helicóptero e mataram três policiais no mês passado, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, e ameaça fazer da violência uma arma para chantagear o governo.

Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o deputado federal Sílvio Torres (PMDB-SP) disse que está ciente de que a segurança é a questão mais delicada envolvendo a estruturação da cidade carioca nos próximos sete anos e cita um exemplo:

"Há pouco tempo estive na África do Sul para acompanhar as obras do Mundial do ano que vem e fui aconselhado por gente do próprio governo a não circular em determinadas áreas sem acompanhamento, inclusive durante o dia. A Fifa sabe que a segurança é um problema no país, mas ainda assim autorizou a realização de um evento da importância de uma Copa do Mundo".

De acordo com a reportagem do jornal Correio Braziliense, o "caô" de Sérgio Cabral, citado no funk, refere-se à suposta quebra de um pacto firmado entre o governo do Estado e o chefe do tráfico no Complexo do Alemão, no qual os traficantes se comprometeriam em não atrapalhar a realização das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, em troca da complacência da Polícia Militar em relação às atividades criminosas em 12 favelas que formam a região mais violenta do Rio de Janeiro. Tudo para que os investimentos oficiais sejam concluídos a tempo de ajudar a eleição de mais um candidato do PT para a Presidência. 

A trégua, que teria começado em outubro do ano passado, acabou no mês passado, quando a PM entrou no Complexo do Alemão em busca dos responsáveis pela queda do helicóptero da PM. A retaliação da polícia produziu, nos dias que se sucederam à invasão, 39 mortes, deixou 41 feridos e 10 ônibus incendiados - segundo números oficiais do governo fluminense

O deputado Sílvio Torres acredita que a Copa do Mundo no Brasil, por ser dividida em 12 sedes diferentes, será mais fácil de ser administrada pelo Estado do Rio de Janeiro, já que a concentração dos jogos e das pessoas envolvidas no evento será restrita. Mas numa Olimpíada, com competições espalhadas nas diversas regiões, a situação muda. "Essa discussão vem numa hora importante, porque ainda dá tempo de se fazer alguma coisa. Mas fazer alianças com traficantes jamais é uma alternativa. Não estou afirmando que Sérgio Cabral fez qualquer pacto, mas de qualquer forma, a luta contra a violência passa, na minha opinião, por investimentos sociais e esse é o objetivo do PAC. Temos exemplo de Bogotá, onde estive recentemente. O governo adotou políticas de segurança aliadas a investimentos sociais em áreas violentas e o resultado tem sido ótimo. Não há pacto social que se sustente em cima de acordo com bandidos", diz Sílvio Torres.

Texto: Revista do ônibus

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