segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sequestrador de ônibus preso na Capital teria distúrbios mentais, segundo comandante da PM

Coronel Eliésio Rodrigues negociou libertação de refém com suspeito do crime

O comandante da Polícia Militar (PM) de Santa Catarina, coronel Eliésio Rodrigues, disse acreditar que o sequestrador que fez um cobrador e um motorista de ônibus reféns na noite de domingo, na Grande Florianópolis, tenha distúrbios mentais. 

Valmir Florentino Costa, 37 anos, rendeu as vítimas durante uma viagem entre Palhoça e a Capital e se entregou depois que o veículo foi parado pela PM. 

— Ele alega que estava com medo de morrer. Me pareceu, na conversa que tivemos, que as vezes ele "se perdia" na memória. Parece ser um problema que ele tem, não sei se algum distúrbio. Tem hora que ele conversa "bem", tem outras que diz coisas que não condizem com a realidade — relembra o policial, que assumiu as negociações que terminaram com a rendição do sequestrador, minutos antes da meia-noite, sob a ponte Pedro Ivo Campos, na entrada de Florianópolis. 

Na conversa com Rodrigues, Costa disse estar sendo ameaçado de morte, mas não deu mais detalhes à polícia. 

— Ele não estava armado e não apresentava sintomas de estar sob o efeito de álcool ou drogas. Perguntei se ele tomava medicamentos e se tinha bebido. Ele negou. 

Como saiu de casa às pressas, depois de ser avisado do sequestro em andamento, o comandante da PM se destacou em meio aos demais policiais por estar sem farda e colete à prova de balas. Mesmo vestindo bermuda e camisa, foi reconhecido pelo suspeito — fato determinante para o fim do sequestro. 

— Cheguei ao local e pedi para os policiais perguntarem ao sequestrador se ele me conhecia. Ele disse que sim e que aceitava negociar comigo. O "pessoal" mandou colete, mas eu não gosto de usar. Fui pra lá como saí de casa, de bermuda e camisa — explica. 

Aproximadamente meia hora depois e após receber um colete, Costa aceitou liberar o refém. Confuso e nervoso, Costa foi levado à Central de Polícia da Capital, onde permanecia detido na manhã desta segunda. 

Depoimento confuso 

Depois de prestar depoimento à Polícia Civil, Valmir Florentino Costa conversou com o repórter Leandro Lessa, da rádio CBN/Diário, na manhã desta segunda. Ele disse que teria sequestrado o ônibus porque estaria sendo perseguido. 

O homem explicou que trabalha como pintor e mora em uma borracharia em São José, onde troca seus serviços pela moradia. Ele alegou que tentava fugir de supostos agressores desde o sábado.

Para escapar, ele teria pegado uma carona e decidido dormir de sábado para domingo fora de casa, num canavial em Barreiros.

— Eram mais de 20 atrás de mim, uns 30, a noite toda. Se não tivesse feito isso (sequestro) estaria morto agora — disse Costa. 

Na noite de  domingo, enquando aguardava carona para ir trabalhar, parou num bar e tomou uma cerveja. Em seguida, foi a uma padaria para comprar cigarros. Foi quando, segundo ele, teria notado que estaria sendo perseguido novamente. 

Ele contou que pegou o primeiro ônibus que passou em sua frente, o qual não soube precisar a linha. Em seguida, desceu do veículo e embarcou no ônibus sequestrado. 

— Eu mandei o motorista "tocar" (para Florianópolis) e deu no que deu — finalizou o sequestrador preso, que assumiu que simulou estar armado, usando o dedo indicador sob a roupa que usava. 

Como foi 

Costa entrou no ônibus 1274 da empresa Jotur na Barra do Aririú, em Palhoça, por volta das 23h20min. Segundo uma das vítimas, ele sentou-se num banco perto do motorista e permaneceu de cabeça baixa durante todo o percurso. 

Quando se aproximavam da última parada, o cobrador teria avisado a ele da chegada do final da linha e que Costa teria que deixar o veículo. Ele era o último passageiro no ônibus. 

Irritado com a situação, o homem teria se aproximado do motorista Roberto Oriques e ordenado que ele seguisse viagem até a Capital. Para persuadir o refém, ele simulou estar armado. 

Quando seguiam em direção à Ilha, o sequestrador concordou em libertar o cobrador. Após descer do ônibus, a vítima correu até a delegacia de Polícia de Palhoça e comunicou o crime. 

A PM foi acionada a tempo de interceptar o ônibus na cabeceira da Ponte Pedro Ivo Campos, já na Capital. O veículo foi cercado por 10 viaturas e dezenas de policiais militares e patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

O sequestrador liberou o refém cerca de meia hora depois de negociação com a polícia. Até o final do sequestro, o trânsito ficou bloqueado na ponte e houve a formação de congestionamento.

CBN/DIÁRIO

Nenhum comentário: