segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Crise na Busscar: trabalhadores começam a assinar as rescisões nesta segunda em Joinville

Redução no número de funcionários e atuação na esfera política para garantir direitos são algumas das cartas que a fabricante de carrocerias de ônibus Busscar, de Joinville, está usando para se recuperar dos problemas pelos quais está passando. Os negócios no exterior encolheram e o ritmo de produção caiu. Os 1.138 trabalhadores da Busscar que aderiram ao plano de demissões voluntárias começam nesta segunda a assinar as rescisões de seus contratos de trabalho. 

As restituições deverão ser parceladas entre cinco e 18 meses e o primeiro pagamento deve ser feito no dia 8. A medida é uma das estratégias adotadas pela fabricante de carrocerias de ônibus de Joinville, que foi fortemente atingida pela crise econômica. No ano passado, as vendas para o exterior caíram 60%. Com a medida, o número de funcionários vai ser reduzido em 32%. 

Antes do anúncio do plano, eram cerca de 3,5 mil nas duas unidades de Joinville (Distrito Industrial e Pirabeiraba) e uma em Rio Negrinho. O Sindicato dos Mecânicos de Joinville estima que, no atual ritmo de trabalho, são precisos 750 trabalhadores para dar conta das atuais encomendas. Uma das mais importantes é uma da Guatemala. A empresa também está atuando na esfera política. 

As duas principais frentes de atuação, envolvendo políticos joinvilenses e catarinenses, executivos da empresa e funcionários, são a tentativa de conseguir que o governo pague R$ 610 milhões em créditos de IPI e que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) libere R$ 25 milhões que seriam usados para ampliar o ritmo da produção. 

Uma das principais preocupações da empresa é com a liberação dos créditos de IPI decorrentes de exportações. Por duas vezes, o Superior Tribunal de Justiça deu ganho de causa para a Busscar. A última delas foi em agosto. Só que a Fazenda Nacional está adotando todas as medidas possíveis para tentar evitar o pagamento. E mesmo que desista disso, o que contraria a legislação, a Busscar demoraria para receber o dinheiro que viria por meio de precatórios.

O presidente da empresa, Claudio Nielson, está aguardando uma resposta do governo federal. Há quase duas semanas, ele e políticos catarinenses pediram que o vice-presidente, José Alencar, os apoiasse na empreitada para conseguir a liberação do dinheiro. Alencar encaminhou o pedido para o Ministério da Fazenda. A resposta, prometida para a quarta-feira passada, ainda não chegou. A expectativa é de que seja dada nesta semana. 

Um grupo de executivos e funcionários da empresa se reuniu em novembro com técnicos do BNDES para encaminhar o pedido. O dinheiro permitiria ampliar o ritmo da produção. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, em 2008, a empresa produziu, em média, 396 carrocerias ao mês. Em julho, antes da empresa se desfiliar da entidade, foram produzidos 110.

Texto: Jornal A NOTÍCIA

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