terça-feira, 11 de maio de 2010

Presidente da Busscar fala sobre plano para salvar a empresa em Joinville

Desde 2004, o presidente da Busscar, Claudio Nielson, conhecido por sua discrição, não falava com a imprensa. Para conversar sobre a estratégia para tirar a empresa da crise, ele fez só uma condição:

— Nada de foto.

O plano para se livrar das dificuldades de caixa e conseguir driblar mais uma vez a crise está na mesa dos comitês de crédito dos bancos. Passa por nova reestruturação das dívidas e ampliação no prazo de pagamento.

O presidente da companhia, Claudio Nielson, em entrevista exclusiva para o jornal “A Notícia”, explica:

— Pedimos carência de 15 meses – até setembro de 2011 – para pagar o principal e os juros da dívida. O débito, atualizado, hoje soma R$ 262 milhões.

FOTO: DIVULGAÇÃO BUSSCAR

A proposta é começar a pagar só a partir de outubro de 2011, e em 96 parcelas e não em 55 meses, como está nos contratos que estão em vigor. Até agora, quatro instituições financeiras já acenaram com o “de acordo”.

A empresa tenta repetir o acerto com os credores, como o realizado em 2003, que garantiu um ano de carência para iniciar o pagamento das dívidas, em meio a um problema grave de gestão e cisão familiar.

O processo de transição, com saída de sócios, redefiniu estratégias. Em 2004, a empresa tinha 1.662 trabalhadores. Naquele ano, a Busscar fabricou 1.500. Em 2009, a empresa joinvilense ficou com 5,1% dos negócios de carrocerias de ônibus, somando-se negócios nos mercados interno e externo.

O rearranjo também passa por um novo empréstimo pedido ao BNDES para exportação.

— São coisas interligadas —, explica o empresário.

A terceira frente do projeto da Busscar é a tentativa de venda de outra unidade industrial (a Tecnofibras) pertencente aos mesmos donos. Há três interessados negociando. Todos do exterior. O atual estágio das negociações é o da análise das documentações. A expectativa é de um possível acerto no prazo de até seis meses.

Além destas frentes, há mais um canal aberto: o político, em Brasília, onde a Busscar tenta receber R$ 621 milhões (valor corrigido) derivado de sentença judicial irrecorrível, ganha pela empresa em ação rescisória dada em 17 de setembro de 2009.

— Até os bancos acreditam. Dizem que é crédito bom —, afirma o diretor financeiro, Elwin Delmonego.

Neste caso, Nielson já esteve com na Procuradoria-geral do Ministério da Fazenda, reuniu-se com o vice-presidente da República, José Alencar, e, agora tenta audiência com o presidente Lula. Receber o que tem direito depende de decisão política.

Nielson descarta a venda da empresa.

— Em 2004, os bancos credores pediram a venda da Busscar. Chegamos a contratar a consultoria Valora, de Álvaro Cunha, para traçar detalhamento de um possível negócio. Surgiram propostas variadas – até de concorrentes. E também indecentes. Nenhuma ideia séria apareceu.

E rejeitou todas.

Nesta quinta, em conversa de mais de duas horas, regada a água, café, bolinho de queijo e bolacha, disse, constrangido:

— Recebi, até, proposta de um negócio em off-shore (remessas de dinheiro para fora do Brasil, em algum paraíso fiscal). Disse não!

Foi então, que, no início de 2005, a Busscar mudou o contrato, de comum acordo com os bancos credores. E o tempo dado por eles – de quatro anos – passou para oito para viabilizar fluxo de caixa.

Neste momento, a situação se tranquilizou. Com dinheiro do próprio negócio, a Busscar pagou integralmente os credores de 2005 a 2008. Foram pagos R$ 392 milhões. Foi nesta hora que aconteceu a crise e derrubou o crédito. A empresa – que já precisava de dinheiro – sofreu o efeito imediatamente. Tinha linha de financiamento de R$ 125 milhões, e, em razão da crise, perdeu R$ 80 milhões.

Com informações do Jornal A Notícia

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