sábado, 29 de maio de 2010

Uma proposta no caminho da Busscar

Centenas de horas de conversas com credores depois e após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) afirmarem que só liberam dinheiro com a mudança na gestão da Busscar, surge, nos bastidores do meio financeiro, uma proposta concreta para a Busscar Ônibus sair do sufoco e recuperar credibilidade.

A saída de Claudio Nielson da presidência, passando a diretor industrial. Consequentemente, ele teria de aceitar que a comissão de credores indique um nome para o comando geral. Até agora, nada disso se concretiza. O empresário ainda não se convenceu de que deve entregar o bastão, apesar de pressão intensa de bancos, órgãos públicos e fornecedores.

Um empresário, que já vivenciou experiência parecida quando a companhia familiar passou ao comando de bancos e fundos de investimentos credores é curto e direto: “no caso da Busscar é necessário identificar sócio estratégico ou um fundo de investimentos que compre parte do negócio e coloque capital novo. Porque aí aparecerá dinheiro do BNDES para reerguer a produção”. Ele acredita que só este modelo atrairá recursos para viabilizar o futuro.

Este empresário diz: “É preciso garantir a sobrevivência da marca e a qualidade da tecnologia de alto padrão reconhecida mundialmente”. E, do alto de sua experiência, alerta: “Fundamental é ser ágil porque com o passar do tempo até este ativo pode ser perdido”.

Outro empresário diz que do jeito que está, é inviável continuar. “A companhia que dirijo já antecipou duas vezes dinheiro para que a Busscar pudesse comprar matéria-prima e, assim, produzir os ônibus encomendados. Desde 2009 são dez veículos a serem entregues – e ainda não foram. São ônibus com piso rebaixado. No total, custam R$ 3,5 milhões.

“A Busscar tem a melhor tecnologia neste tipo de produto. O problema é que não consegue entregar a mercadoria. E nós já pegamos financiamento, mas não temos o produto”.

Este quadro difícil preocupa muito. Há uma razão objetiva para tanta inquietação: se a Busscar efetivamente deixar de produzir, haverá problemas sociais enormes e, para este segmento, é previsível dificuldade de reposição de peças para os ônibus que já estão rodando.

O agravamento da crise da Busscar obriga a este cliente – e outros, é claro – a comprar carrocerias de outras fábricas. Pelos dados da Fabus (Associação Nacional de Fabricantes de Carrocerias de Ônibus) a Neobuss, de Caxias do Sul, vem ganhando espaço no mercado. Por isto tudo, a opinião se repete: “Auanto mais cedo trocar o comando, maiores serão as chances de recuperação.

Até agora, parece que há uma crença de que Deus vai salvar a empresa. Não vai”. No final do ano passado, a Busscar tinha 5% do mercado.

Matéria: A Notícia

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