terça-feira, 29 de junho de 2010

Apenas 40% da frota de ônibus no país esta adaptada.


Urbano

Em um País como o Brasil – que possui 24,6 milhões de habitantes com algum tipo de deficiência, volume equivalente a 14,5% da população, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – apenas 40% da frota de ônibus urbano em circulação (105 mil veículos) está preparada para atender a estes usuários.

A constatação é de Marcos Bicalho, superintendente da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), que prevê que até 2014 este deve atingir 90% da frota em operação no País.
“No passado, o número de veículos adaptados era muito pequeno. Mas com a criação de lei, que tornou obrigatório que todos os ônibus saiam de fábrica preparados para atender portadores de alguma necessidade específica, este cenário está mudando”, argumenta. A norma nº 10.098 também determina que até 2014 toda a frota em circulação esteja preparada para atender a estes usuários.

O superintendente ressalta que para ser acessível o veículo deve atender a pelo menos uma das seguintes exigências: possuir piso baixo (total ou parcial), contar com elevador, ou oferecer “embarque em nível” - quando a calçada fica na mesma altura do veículo – sistema comum nos BRTs (Bus Rapid Transit).

Entretanto, Bicalho destaca que a principal preocupação para que a lei seja atendida no tempo determinado não se refere aos ônibus, mas sim, às calçadas e vias para que estes passageiros tenham condições de chegar até o local para desfrutar do transporte.

“É preciso aliar veículos adaptados com uma infraestrutura de qualidade. Não adianta oferecer o veículo de acordo com todas as normas se o passageiro não consegue chegar até o ponto de parada devido às más condições das calçadas, por exemplo”, argumenta.

Em relação ao valor necessário para adaptar os veículos, Bicalho estima que será preciso recursos da ordem de R$ 100 milhões, sem contar com a aquisição de novos veículos.

Questionado sobre as cidades que melhor atendem aos usuários com algum tipo de deficiência, o executivo aponta que – embora não exista uma pesquisa sobre o assunto – as grandes metrópoles estão bem preparadas.

“São Paulo é um bom exemplo de acessibilidade, ao lado de Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS), por exemplo”. Segundo dados da SPTrans, a capital paulista conta com 3,9 mil veículos adaptados de um total de 15 mil.

No Rio de Janeiro – cidade onde a frota é composta por 8,8 mil ônibus – dois mil são acessíveis. Em Belo Horizonte, existem hoje 1,3 mil ônibus com elevador e 152 com piso baixo. No total, 2,8 mil veículos circulam pela cidade. Em Porto Alegre, de 1.597 veículos, 470 unidades estão preparadas para atender estes usuários.


Rodoviário

O regulamento – elaborado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) – determina que os veículos devem oferecer dois assentos reservados no corredor, com braços retráteis e devidamente identificados; espaço para deficientes visuais (com espaço na lateral para acomodação de cão guia).


No início deste mês, todos os ônibus rodoviários em circulação que fazem ligações intermunicipais ou interestaduais passaram a ser obrigados a atender às regras brasileiras de acessibilidade, facilitando o acesso de portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida.


Além disso, todos os ônibus devem possuir acesso para cadeirantes (com plataforma elevatória veicular ou rampa de acesso para cadeiras de rodas). Os veículos também terão que eliminar possíveis barreiras que impeçam a livre circulação dos passageiros, ter pisos derrapantes, iluminação nos degraus, guias laterais na cor amarela e cadeira de transbordo (desmontável, menor que as convencionais e que esteja disponível nos bagageiros dos ônibus e rodoviárias).

Fonte: BuzuNet

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