domingo, 25 de julho de 2010

Ao Maracanã de Maracabus

Projeto voltado para o transporte diferenciado de passageiros que venham a visitar o Rio de Janeiro durante a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos é um mote que pode virar realidade nos próximos anos.


Dentre as principais modificações que o Brasil necessita realizar para sediar os mais relevantes eventos esportivos em 2014 e 2016, o sistema de transporte coletivo tem fundamental importância para que o deslocamento dos usuários não seja comprometido. Nesse sentido, ganha ênfase o transporte realizado principalmente nas cidades com grande apelo para o turismo. É o caso da cidade do Rio de Janeiro, que além da Copa, ainda vai sediar as Olimpíadas. Os seus pontos turísticos, que são atrações para os cidadãos do mundo, promovem também excelentes oportunidades para idéias que se adéquam ao contexto desta matéria. 

O paulista Renan Willian Leite Pereira (radicado no Rio Grande do Sul desde sua infância), designer industrial, tem uma proposta que se identifica com a capital fluminense através de um ônibus diferenciado, com elementos para proporcionar o conforto, o design, a segurança, informações e a ampla visibilidade externa. Trata-se do ônibus conceito Maracabus, trabalho de conclusão de seu curso de design na faculdade Anglicana de Erechim. Há 6 anos trabalhando na encarroçadora Comil, sendo que há 4 está no departamento de design, Renan escolheu o Rio de Janeiro por ter um transporte coletivo com uma série de deficiências a serem trabalhadas. “Há uma necessidade de se redesenhar o estilo dos ônibus, modernizar seus desenhos e inovar com tecnologia, além de proporcionar acessibilidade, pois a cidade possui um número muito significativo de pessoas com alguma deficiência física”, explicou o designer. O Rio de Janeiro possui um pouco mais de 6 milhões de habitantes e cerca de 830 mil habitantes sofrem com alguma limitação física ou mental.

Detalhes que fazem a diferença entre o modelo convencional.
O Maracabus é caracterizado pelo uso de novas tecnologias em sua construção, com ênfase a materiais que podem ser reciclados e conferem maior leveza ao veículo, proporcionando menor desgaste de motores e pneus. É o caso do polímero termoplástico a ser aplicado no acabamento inferior das laterais da carroçaria e nos pára-choques. “Polímeros termoplásticos são resistentes ao impacto e ainda por cima são recicláveis. Em caso de colisões leves ele se deforma e volta ao normal, enquanto que a fibra de vidro não é permitida tal ação, além de ser um material que agride o meio ambiente. O uso desse material não influencia no custo final do ônibus”, disse Renan.

Em se tratando de detalhes externos da carroçaria, conferem destaque a integração do aparelho de ar condicionado com a lateral da carroçaria, inspirado em um gomo da bola de futebol, contendo ainda um itinerário eletrônico para melhor visibilidade dos passageiros; ampla área envidraçada (vidros temperados); caixas de rodas com linhas inclinadas dando impressão de movimento e elementos como o sistema óptico dianteiro, as lanternas traseiras e os pára-choques que promovem equilíbrio ao seu conceito estético. O teto recebe a fibra de carbono e aramida com resinas especiais através do processo de pultrusão (composição), sendo um material compósito estrutural de longa durabilidade e de baixo peso, imune à corrosão e resistente a altas temperaturas, exercendo o papel de isolante térmico e acústico e considerado bem mais leve que os materiais convencionais.

Na traseira a preocupação com a estética e segurança.
O designer ainda não realizou estudos alternativos quanto a estrutura da carroçaria, utilizando os perfis pultrudados (material compósito, composto de diferentes tipos de resinas e reforços, como fibra de vidro, carbono e aramida. O resultado é um material plástico estrutural de longa durabilidade e de baixo peso que pode ser utilizado em aplicações que requerem alta resistência mecânica e química), mas informa que esses elementos são mais resistentes do que o alumínio e o aço, contudo o valor de investimento ainda não compensa a tecnologia, seguindo a mesma tendência dos dias atuais quanto ao que é usado na produção das carroçarias.  

No acesso ao salão de passageiros, que tem piso baixo, há duas portas diferenciadas. Uma, localizada no entre eixos, é composta por três partes, sendo que duas superiores se abrem no sentido longitudinal (tipo pantográfica) e a terceira funcionando na forma vertical (escamoteável), com a função de rampa para o acesso ao interior. Já a outra porta, instalada na parte frontal, também é pantográfica, deslizando-se para maior aproveitamento da abertura.  

Para Renan, sua idéia visa não só atender os usuários que irão visitar o Brasil na Copa do Mundo de 2010 e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, mas também como uma peça de marketing para fazer do transporte coletivo nas cidades brasileiras uma atratividade para beneficiar o meio ambiente e aos próprios usuários cativos do modal. “O projeto Maracabus busca, além de aprimorar os ônibus já existentes no mercado atual, suprir carências em relação à aspectos deficitários encontrados nesses produtos, como segurança, funcionalidade, inovações tecnológicas e de matériais, forma, inclusão social e trazer um apelo estético que atraia o público a utilizar o veículo”, mostrou Renan.

Maior área envidraçada e peças que dão toque requintado ao modelo.
Por se tratar de uma proposta conceito, a novidade se encontra até o momento na forma de desenho ou de um modelo em escala já desenvolvido. O designer ainda não tem conhecimento quanto a custos de produção do veículo, porém as vantagens podem ser inúmeras, em termos de meio ambiente, operação, facilidade de manutenção, etc. “É o futuro em termo de ônibus. Ele pode apresentar um custo mais elevado em relação aos modelos atuais, mas a minha preocupação é encarar esse ônibus como um investimento e não apenas ao seu valor comercial. Em meu projeto quero que o passageiro experimente a viagem de ônibus com todo o conforto e comodidade”, concluiu.

O designer imprimiu sua marca com aspectos de fluidez e grande harmonia.
Fotos - divulgação.

Com informações: Revista AutoBus

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