domingo, 25 de julho de 2010

O Futuro das células a combustível no Brasil

Consideradas a tecnologia do amanhã que promoverá energia elétrica para a tração dos ônibus urbanos, as células a combustível devem ser utilizadas comercialmente dentro de 4 a 5 anos no mercado brasileiro.


Células a combustível são dispositivos eletroquímicos que convertem continuamente hidrogênio e oxigênio em eletricidade, tendo como resíduo apenas vapor de água e um pouco de calor. É assim que o paulistano Silvano Pozzi, engenheiro e diretor do seguimento de tecnologias para aplicação em veículos pesados da Ballard Power Systems Inc, define o conceito que pode figurar na evolução dos ônibus urbanos. E para ele, o Brasil tem uma enorme chance para promover esse elemento inovador em seu sistema de transporte coletivo realizado pelo veículo. “O perfil de aplicação do ônibus e o mercado brasileiro são inigualáveis. A Ballard sempre viu e vê o Brasil como uma oportunidade incrível e eminente. O problema é que este mercado é muito sensível a preços. Só agora, com a redução dos valores de desenvolvimento e produção da tecnologia, é que podemos avançar no país de uma forma mais solida”, disse.

 A nova geração de células a combustível incorpora maior durabilidade, eficiência e menores custos.
A canadense Ballard é definida no mercado mundial como líder em pesquisas, desenvolvimento, produção e vendas de células a combustível de hidrogênio. No setor de transporte coletivo realizado por ônibus a marca possui 70% de participação, onde a quantidade de veículos ainda é pequena, um pouco mais de 100 unidades, mas “crescendo rapidamente”, enfatizou o executivo. Um modelo com 12 metros de comprimento, produzido em pequena escala, tem um custo 2,5 vezes superior a uma versão a diesel. “Os custos iniciais são no momento a maior barreira. A tecnologia está pronta e desenvolvida, após 6 gerações de protótipos e pouco mais de 20 anos de pesquisas. A solução para alcançarmos a produção em escala passa por incentivos governamentais e a visão da iniciativa privada”, explicou Pozzi. 

No quesito técnico, a durabilidade das células varia de acordo com o tipo, a pureza do hidrogênio, as condições de operação e a sua aplicação. O produto da Ballard tem uma vida que vai de 2.000 a 6.000 horas dependendo dos fatores acima mencionados. Porém, uma nova geração de células foi projetada para que sua durabilidade seja maior. O modelo FCvelocity™-HD6 incorpora avanços tecnológicos e pode ter uma vida útil de 12.000 horas ou 5 anos. Essa nova versão poderá estar presente em uma nova etapa do programa de ônibus a hidrogênio da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) de São Paulo. “O primeiro ônibus brasileiro dotado da tecnologia está equipado com as células da Ballard. O projeto da EMTU vai cumprir com seus objetivos iniciais e em seguida ser direcionado para a implementação dos mais recentes desenvolvimentos e com um nível maior de nacionalização”, lembrou Pozzi.

Outro detalhe analisado por ele é que os benefícios proporcionados pelo maior uso das células a combustível ao meio ambiente são extremamente significativos. Para exemplificar, um ônibus a diesel produz cerca de uma tonelada e meio de dióxido de carbono (CO2) por dia, mais os volumes de óxido de nitrogênio e material particulado. “Tudo isto é eliminado, mesmo que na produção do hidrogênio e seu transporte ainda existam algumas poucas emissões”. 

Quanto ao futuro das células a combustível no mercado brasileiro, Pozzi revelou sua confiança na maior aplicabilidade no contexto de um Brasil com um crescimento com responsabilidade social e ambiental. “Nossa previsão é de que a partir de 2014 ou 2015 esta tecnologia já esteja disponível a valores comerciais no Brasil e no resto do mundo. A indústria, os frotistas e o Governo Brasileiro têm mostrado muito interesse nas células, principalmente porque ela possui uma característica superior em termos de sustentabilidade”, concluiu.

Segundo Silvano Pozzi, a tecnologia da Ballard pode estar presente em ônibus de variados tamanhos.
Fotos - Ballard 

Pelo mundo, a BC Transit (operadora do transporte na British Columbia, província localizada na costa oeste do Canadá) possui a maior frota mundial de ônibus a hidrogênio dotada com as células da Ballard. São 20 unidades “emissões zero” que transitam pela cidade de Whistler e que também serviram para o transporte durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 em Vancouver. Ao optar por veículos ambientalmente corretos, o governo local tem um plano para reduzir em 33% todas as emissões poluentes até 2020.


Com informações: Revista AutoBus

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