quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Busscar Abandona trabalhadores

Após liderar mais um papelão com a convocação de trabalhadores que não recebem salários há quatro meses para finalizar ônibus inacabados pagando R$ 60 ao dia, sem garantias de direitos e segurança do trabalho, a Busscar Ônibus agora abandona de vez seus trabalhadores. Totalmente paralisada, a empresa sequer atende aos seus funcionários para informações sobre quando serão pagos os salários de abril e maio, mais o décimo-terceiro de 2009, que foram determinados pela Justiça do Trabalho.

Antes preocupados em manter seus funcionários seguindo a cartilha da salvação que não veio, divulgando notícias sem qualquer solução prática, levando milhares à passeatas e até a longínqua Brasília, agora a Busscar largou de vez seus trabalhadores ao relento. Nem telefonemas atendem dos trabalhadores, que precisam informações do RH da empresa, responsável pelas respostas – inúmeras aliás – sobre o pagamento decidido pela Justiça, documentação trabalhistas e muitas outras informações. O Sindicato recebe centenas de trabalhadores todos os dias pedindo dados que a empresa têm de informar e entregar.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região, João Bruggmann, a Justiça está acompanhando de perto a demora da Busscar em cumprir a decisão judicial de pagamento dos salários devidos de abril e maio, mais o 13º salário de 2009, fruto de ação do Sindicato dos Mecânicos em maio deste ano. Na sua defesa a empresa disse precisar liberar um terreno que estava bloqueado pela Justiça do Trabalho também por ação do Sindicato – para proteger os direitos dos trabalhadores e garantir pagamento dos mesmos direitos – para que pudesse negociar com o banco BIC um financiamento no valor de R$ 11 milhões.

Com parte desse valor e mais um crédito de R$ 7,5 milhões por impostos que está depositada na Justiça Federal, a empresa pagaria esses atrasados. Ficam ainda pendentes os salários de junho e julho que já venceram também, mas na época da entrada do processo ainda não haviam vencido, e por isso não estão contemplados nessa decisão. ”É triste porque alguns trabalhadores ligados à direção da Busscar pediram ao Sindicato que liberasse o terreno na Justiça para que isso acontecesse, pediram mais uma vez um voto de confiança. E agora, cadê a venda, a transação que estava pronta só esperando a liberação do terreno para acontecer? Estamos atentos e a Justiça pode até decretar intervenção judicial caso a Busscar não cumpra mais uma vez a lei e a determinação judicial”, dispara Bruggmann.

Ainda não há sinalização da Busscar sobre o pagamento dos atrasados decidido pela Justiça do Trabalho em sentença. Se a empresa não pagar, a Justiça bloqueia novamente o terreno e pode decretar a intervenção judicial. O Sindicato salienta que a essas obrigações de pagar parte dos atrasados, bloqueio dos bens da empresa e acionistas e possíveis tratativas de venda do controle acionário só estão acontecendo por pressão e ações do Sindicato dos Mecânicos. Até campanha de alimentos foi promovida pela entidade, arrecadando toneladas de alimentos que ajudaram os cerca de três mil trabalhadores a alimentar suas famílias temporariamente.

Rescisões indiretas: Justiça começa a dar sentenças liberando trabalhadores

Uma boa notícia para os trabalhadores que entraram com os processos de rescisões indiretas na Justiça do Trabalho: os juízes começam a dar as sentenças liberando os trabalhadores e trabalhadoras com a carteira de trabalho com baixa por culpa do empregador. A Justiça está determinando que a empresa dê baixa e emita as guias para encaminhamento do seguro desemprego e saque do FGTS depositado.

Hoje já existem em torno de 500 ações judiciais e trabalhistas contra a Busscar, sendo cerca de 400 ligadas às rescisões indiretas. O Sindicato dará mais informações neste site durante o dia e a semana, e os trabalhadores podem também ir até a sede central ou ligar para o fone 47 – 3027.1183.

“Quem deu entrada conforme decidido em assembleia geral na frente da empresa, pode ser beneficiado pela liberação da carteira, tocando a vida prá frente, e também receber o FGTS existente, ou ainda encaminhar o seguro-desemprego. É mais uma vitória do Sindicato e dos trabalhadores que acreditam na ação do seu Sindicato, entenderam que estamos ao seu lado e lutando sempre por seus direitos”, destaca o presidente João Bruggmann. O Sindicato ainda espera pela solução definitiva da crise, trabalhando em silêncio para que a empresa se recupera nas mãos de novos sócios, com dinheiro novo para a retomada da produção. 

Fonte: Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região

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