quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Crise na Busscar: "Entregando as carteiras para sair"

Uma fila de trabalhadores da Busscar Ônibus tomou conta do pátio da sede do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região, no Centro, ontem. Eram pessoas como Salete da Silva, 38 anos, que há dez trabalhava na fabricante de carrocerias e que ontem entregou as carteiras de trabalho. Agora, aguarda a devolução do documento por parte da empresa para poder retirar o FGTS e entrar com o pedido de seguro-desemprego.

Assim como Salete, cerca de 360 funcionários tiveram os pedidos de rescisão indireta concedidos pela Justiça. Eles desistiram de esperar por uma definição sobre o futuro da empresa e entraram com a ação para conseguir sair da Busscar mantendo os direitos de uma demissão. Segundo o sindicato, 70% (cerca de 250) dos cerca de 360 entregaram as carteiras.

Salete diz que a baixa na carteira vai dar início a uma nova fase na vida dela. “Não consigo emprego com o registro em aberto. Só faço bicos fora da minha área, como diarista, pois acumulei dívidas. Esta é a única forma de pagar as contas. Já deixei currículos em algumas empresas e tenho esperança de conseguir uma vaga na produção. Mas tenho medo de recomeçar, não conseguir um salário bom. Vai ser uma grande mudança”, revela Salete.

De acordo com a advogada do sindicato, Luiza de Bastiani, quem entrou com o processo, mas ainda não levou a carteira, deve ir com urgência ao sindicato. “Amanhã cedo, entregaremos algumas carteiras. O prazo para a Busscar devolver varia de cinco a dez dias.”

Há dois anos na Busscar, o trabalhador Gersion Voltolini, de 47 anos, diz que, apesar de estar saindo, ainda torce pela recuperação da empresa. “Vou sair, pois cansei da incerteza, de não ter perspectivas para o futuro. Estou fazendo trabalhos sem registro e esperando um novo começo. Espero que a empresa se recupere. Mesmo que eu não volte a trabalhar lá, acredito ser um nome importante”, afirma.

Com informações: A Notícia

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