segunda-feira, 20 de setembro de 2010

São Paulo: Plano de Mobilidade poderia reduzir em 25% circulação de veículos

Estudo propõe criação de corredores de ônibus nas marginais.
Cerca de 500 km de ciclovias também seriam construídas.

Propostas como a criação de corredores de ônibus em vias estratégicas, como as marginais Pinheiros e Tietê, construção de 500 km de ciclovias, reforma e adaptações de calçadas fazem parte de um plano de Mobilidade Sustentável que foi proposto na manhã desta segunda-feira (20) pelo Movimento Nossa São Paulo em conjunto com outras organizações. Uma vez colocado em prática cerca de 25% dos veículos deixariam de circular pelas ruas da capital paulista. O projeto foi apresentado na manhã desta segunda-feira (20), na Câmara Municipal de São Paulo.

O plano propõe a criação de corredores de ônibus expressos em vias com as marginais Pinheiros e Tietê e na Avenida dos Bandeirantes. Os novos corredores disponibilizariam 1,2 milhões de viagens/dia. Em outras vias, os corredores mesclariam ônibus expressos e que fazem paradas ao longo do percurso. Os corredores seriam todos interligados para facilitar o deslocamento dos moradores.

Na estimativa dos especialistas, 10% migrariam para esses corredores expressos de ônibus que cruzariam toda a cidade. A utilização do carro para percorrer distância de até 7 km seria desestimulado. Os moradores da capital optariam por outras formas de deslocamento, como a bicicleta. No cenário possível, caso forem criadas os 500 km de ciclovias integradas aos sistemas de ônibus e metrô, 100mil usuários de carro passariam a usar a bicicleta. Teríamos,assim, uma redução de 88,58 toneladas de CO2 por dia. Por ano, essa economia seria 32mil toneladas de CO2.

Outro aspecto interessante do plano de mobilidade sustentável está a preocupação com a descentralização das atividades econômicas na cidade e a ocupação do centro da cidade para que as pessoas não necessitem se deslocar longas distâncias para ir trabalhar. Para Maurício Brozoini Pereira, coordenador da secretaria executiva da Nossa São Paulo, o plano deve ser discutido conjuntamente com o Plano Municipal de Habitação. “É preciso fazer discussão conjunta para evitar, por exemplo, que algumas regiões que passem por forte especulação imobiliária. É preciso rever pólos geradores de tráfego se não vamos continuar repetindo a história, sem respeitar as diretrizes do Plano Diretor”, afirmou.

Além da reforma e ampliação de calçadas, o estudo sugere a criação de ruas de convivência e de tráfego lento, onde o tráfego de pedestres, bicicletas e ônibus compartilhariam o espaço.

O projeto prevê ainda a formação de uma cadeia logística metropolitana que combinaria diferentes modais: rodoviário, hidroviário, ferroviário, portuário e de cabotagem.

Ausência

O movimento Nossa São Paulo lamentou a ausência de representantes Secretaria de Transportes à apresentação do plano de Mobilidade Sustentável nesta manhã. O vereador Senival Moura, da Comissão de Transportes da Câmara, vai levar uma demanda da comissão para aprovar o requerimento para que os secretários de transporte e planejamento participem da discussão do estudo, que foi elaborado por especialistas em transportes coletivos.

Ele está otimista na aprovação desse requerimento. “Vou levar a sugestão [à Comissão]. Meu voto é favorável. Acredito na posição da Comissão que tem uma posição firme. Ela entende que a discussão acaba sendo prejudicada sem a presença de atores importantes, no caso de secretários”, declarou Senival Moura.

Fonte: G1

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