terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mais lento, ônibus 'verde' em testes gera polêmica no Rio

Em teste no Rio de Janeiro, um sistema que promete reduzir a quantidade de ruídos e gases poluentes emitidos pelos ônibus está dividindo a opinião dos passageiros. O dispositivo desliga automaticamente o motor do coletivo quando ele para em sinais de trânsito ou nos pontos. Apesar da contribuição para o meio ambiente, muitos usuários reclamam que a viagem está mais demorada.

Por enquanto, a experiência está sendo feita pela Viação Breda em três dos 30 ônibus da linha 497 (Cosme Velho x Penha). O motor é desligado em paradas longas, superiores a dez segundos.

A novidade não agradou a alguns passageiros. "Não concordo. De paradinha em paradinha, a gente perde pelo menos 10 minutos. Trabalho com pessoas doentes e não posso me atrasar de jeito nenhum", reclama a enfermeira Maria da Graça de Paula, 60 anos.

O estudante Severino Macena, 21 anos, tem opinião parecida. "Quando você está no ônibus, só quer chegar logo ao seu destino. Esta novidade ainda vai causar muita confusão", aposta.

Para testar o sistema, o jornal O Dia percorreu o trecho entre Cosme Velho e Praça da Cruz Vermelha nos dois modelos de ônibus. As viagens foram feitas no mesmo horário, mas em dias diferentes. O veículo convencional demorou 27 minutos para percorrer 6,5 km. Já o equipado com a nova tecnologia fez o mesmo trajeto em 33 minutos - uma diferença de seis minutos.

Especialistas creem que a novidade não vai gerar engarrafamentos. Segundo o engenheiro de transportes Alexandre Rojas, o veículo pode arrancar rapidamente após o motor ser religado. "A diferença na viagem é mínima ou nenhuma", explica. Ele ressalta que, com a tecnologia, o passageiro terá mais conforto.

"Tem menos barulho e menos calor do motor. Este tipo de ônibus é interessante tanto para a sociedade quanto para empresários, que economizam combustível", afirma. De acordo com ele, o motor dos veículos equipados com o novo sistema funciona na rotação ideal. Por isso, consomem menos combustível e emitem menos gases poluentes.

Segundo Guilherme Wilson, gerente de operações de mobilidade da Fetranspor, se a eficácia da novidade for comprovada, outras empresas serão estimuladas a adotá-la.

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