sexta-feira, 25 de março de 2011

Paralisações serão sem aviso prévio - Florianópolis

Transporte coletivo será suspenso, hoje, entre 30 minutos e uma hora

Se você depende de ônibus, é melhor sair um pouco mais cedo de casa hoje. Sem aviso prévio, trabalhadores do transporte coletivo da Grande Florianópolis entraram em estado de greve e fizeram a primeira paralisação-relâmpago do serviço, ontem, entre 10h30min e 11h30min.

Na plataforma A do Terminal Integrado do Centro (Ticen) houve um princípio de tumulto por parte dos usuários, que se indignaram, pois não foram avisados sobre a parada. Eles ameaçaram pular as catracas de entrada. Viaturas da PM cercaram a área para acompanhar a movimentação, enquanto os ônibus ficaram estacionados no entorno do terminal. O que mais se ouvia na plataforma eram reclamações dos usuários que perderam compromissos. Sob gritos de protesto, as catracas foram liberadas.

Motoristas e cobradores montaram uma tenda na Praça das Nações, no Centro da Capital, para realizar assembleias. Ontem, foram duas, às 9h30min e 15h30min. Segundo o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana (Sintraturb), Ricardo Freitas, neste ano as paralisações serão curtas, de 30 minutos a uma hora, e fora de horários de pico, ao contrário de anos anteriores, e devem continuar hoje.

A principal reivindicação do sindicato é a redução da jornada de trabalho de seis horas e 40 minutos para seis horas diárias, com a manutenção do salário. O sindicato pede, também, aumento do vale-alimentação, de R$ 340 para R$ 380, além de uma revisão geral do texto da convenção coletiva. A categoria tem cerca de 5 mil funcionários na região, e destes, 4 mil são motoristas e cobradores.

Sindicato quer o fim da jornada de três horas

A entidade também quer acabar com a jornada especial de três horas, realizada por alguns trabalhadores em horários de pico. As empresas têm um limite de 15% dos funcionários para este tipo de contrato. No entanto, de acordo com o sindicato, algumas empresas trabalham com índices que chegam a 45%.

Cerca de 400 motoristas e 400 cobradores trabalham no regime de três horas (regido pela CLT, com salário proporcional). Por meio de nota, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Florianópolis, Waldir Gomes, afirmou que a extinção do turno de três horas acarretará em um custo ainda maior para o sistema. Isto porque os funcionários que atualmente trabalham apenas três horas passariam a cumprir o horário integral e com salário maior. O dirigente afirma que o sistema está financeiramente saturado há anos.

– Temos um prejuízo mensal que vai de R$ 900 mil a até R$ 1,5 milhão e não suporta mais nenhum tipo de aumento de custos sem repasse à tarifa – alega.

Segundo Gomes, a convenção coletiva segue em vigor até o dia 30 de abril e paralisações como a de ontem são intempestivas e fora de qualquer legalidade.

O vice-prefeito e secretário de Transportes da Capital, João Batista Nunes, ficou surpreso com a paralisação. Na próxima semana, ele pretende se reunir com representantes do sindicato patronal e dos trabalhadores para encontrar um consenso.

– Não se pode regredir. Não podemos colocar em risco a cidade por causa de questões trabalhistas.

Segundo João Batista, a tarifa deve aumentar neste ano, porém, apenas a reposição da inflação. O reajuste da tarifa já foi autorizado pelo Conselho Municipal dos Transportes e depende do aval do prefeito Dário Berger. Com isso, o valor pago com o cartão passaria de R$ 2,38 para R$ 2,54.

JOÃO BATISTA NUNES
Vice-prefeito e secretário de Transportes

"Não se pode regredir. Não podemos colocar em risco a cidade por causa de questões trabalhistas."

Fonte: Diário Catarinense

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