sábado, 21 de maio de 2011

Licitação de Niterói: Graças ao BRT, número de ônibus será reduzido, mas atendimento será ampliado

O passageiro atualmente não é bem atendido apenas pelo fato de haver bastante ônibus na região onde mora, trabalha ou estuda. Mas quando o sistema é eficiente, possibilitando maior velocidade dos ônibus que podem fazer o mesmo trajeto com menos unidades.

Essa é a proposta do verdadeiro BRT – Bus Rapid Transit, um sistema atualizado e moderno de transportes públicos, dentro do orçamento de qualquer cidade e que faz do ônibus, trafegando em corredores exclusivos, com possibilidade de pagamento da passagem antes do embarque e acessibilidade para qualquer passageiro, oferecer o máximo que pode ser extraído destes veículos, que estão cada vez mais modernos.

A redução do número de ônibus ao mesmo tempo que o sistema e a capacidade de atendimento são ampliados é um sonho possível pelo BRT em todo o mundo, se tornando realidade em países de diversas condições financeiras e sociais.

E com investimentos em BRT, a Prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro, anuncia que após a realização da licitação dos transportes, que deve ser lançada dentro de três semanas, será possível reduzir de 600 para 300 o número de ônibus em circulação na cidade e aumentar o número de passageiros beneficiados.

A licitação, na verdade, já deveria estar pronta. Era previsto que ela saísse do papel em 2009, mas problemas burocráticos, tanto do poder público como das empresas, proporcionaram esse atraso de mais de dois anos.

A licitação dos transportes por ônibus em Niterói, no Rio de Janeiro, faz parte do Plano Municipal de Transporte e Trânsito, apresentado em 2009 pelo prefeito Jorge Roberto Silveira e pelo arquiteto Jaime Lerner, considerado o idealizador do primeiro sistema de BRT – Bus Rapid Transit do Mundo, em 1974, em Curitiba, que se moderniza com o tempo e é considerado modelo internacional de sistemas de transportes.

O BRT – Bus Rapid Transit – custa 10 vezes menos que o Metrô e tem a implantação 5 vezes mais rápida. A capacidade de atendimento do Meto, no entanto, é bem maior. Mas o BRT não fica atrás de outros modais, neste quesito, como monotrinho e VLT. Ele pode custar entre 4 e 5 vezes menos que o Veículo Leve sobre Trilhos e que o monotrilho tem atendimento e velocidade operacional compatível e tem uma vantagem indiscutível: a flexibilidade. Há possibilidade de diversos serviços num mesmo trajeto, secção de linhas e, como as cidades são dinâmicas, com os pólos de demanda (áreas de geração de emprego e renda e adensamento populacional) podendo mudar ao longo do tempo, o BRT foi ser estendido ou ter o trajeto alterado ou mesmo a obra alterada mais facilmente para atender às constantes mudanças de uma sociedade, o que um viaduto de monotrilho ou mesmo um sistema de VLT apresenta maior dificuldade para ser feito.

É justamente esse o caso de Niterói. O Plano vislumbrou mudanças em alguns pontos da cidade que interferem no perfil de deslocamento.

Essa agilidade e flexibilidade só puderam ser oferecidas pelo BRT. Um corredor de ônibus bem planejado não destoa do ambiente urbano e pode se integrar a ele e oferecer vantagens como canteiros ajardinados e ciclovias.

A racionalização das linhas de ônibus pode ser considerada outra vantagem do sistema de BRT.

Na licitação que deve ser lançada em 3 semanas, Niterói prevê extinguir 13 linhas de ônibus ou incorporar parte delas a outras. Além disso, 14 itinerários devem se alterados.

Todo este sistema, segundo a Prefeitura de Niterói deve ser colocado em prática dois anos depois da licitação e só será possível pelo BRT.

A estimativa é que sejam colocadas em funcionamento 09 linhas de BRT. Elas vão agilizar os deslocamentos por transportes públicos na cidade ao interligarem 5 terminais: o João Goulart, no Centro, e outros quatro previstos em Charitas, Piratininga, Largo da Batalha e Caramujo.

O sistema de BRT contará com ônibus articulados, que dispõe de toda a acessibilidade para que embarque e desembarque sejam feitos no mesmo nível do piso da estação e do assoalho do ônibus. O pagamento antes da entrada no veículo, diminui o tempo de parada dos ônibus, já que o acesso pode ser feito por mais de uma porta e não há filas entre a calçada, a porta e a catraca.

Os ônibus devem ser automáticos, com gerenciamento eletrônico oferecendo dados operacionais, de segurança e de consumo para motoristas e também para garagens e centros de controle operacional. Só por trafegarem mais rapidamente em via segregada, podendo levar mais pessoas, o gasto de combustível é menor, evitando diesel queimando a toa. Isso já seria um ganho ambiental, mas o BRT de Niterói vai contar com possibilidade de uso de combustível alternativo, como Biodiesel, por exemplo, sem esquecer que o Projeto de ônibus Flex GNV – Diesel vai se estender para além da capital do Rio. Outra vantagem em relação ao meio ambiente é que os ônibus já seguirão o Padrão Euro V, dentro do Proconve – Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, fase 7, o Proconve P 7, que é mais rigoroso em relação à obrigatoriedade de redução de emissão de poluentes, como de óxido de nitrogênio (NOx) e materiais particulados, os grandes vilões do diesel convencional.

Mesmo sem todos estes avanços, já é um grande ganho ambiental, só o fato de um ônibus tipo BRT, que leva 150 pessoas, poder tirar 125 carros de passeio das ruas, levando em consideração a média nacional de que um carro transporta 1,2 pessoa por viagem.

Em entrevista ao Jornal O Globo, o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro, Márcio Barbosa, afirmou que as companhias de ônibus se preparam para esta reestruturação dos transportes.

Fonte: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. 

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