quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Goiânia: Motoristas de ônibus sofrem com carga horária excessiva


Motoristas do transporte coletivo chegam a passar mais de 10 horas à disposição das empresas. É o que diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo), Carlos Alberto Luiz. A carga horária pode chegar a esse tempo contando com duas horas extras, como prevê a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Sem escala fixa e com horários para cumprir, o trabalho diário com carga horária máxima e com estresse pode comprometer a segurança dos passageiros.

“Uma jornada de 10 horas por dia é excessiva para qualquer um, por isso mesmo as centrais sindicais lançaram a Campanha Nacional pela Redução da Jornada sem Redução de Salários”, revela a doutora Ana Claudia Moreira Cardoso, socióloga responsável pela discussão com centrais sindicais pela redução da carga horária de trabalho do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“Há uma preocupação com prazos para cumprir e o itinerário em um trânsito que não colabora. São fatores geradores de estresse e tensão ao motorista”, explica o médico João Anastácio Dias, presidente da Associação Goiana de Medicina do Trabalho. Segundo ele, a jornada de trabalhado precisa dar atenção às pausas para descanso. Caso o trabalhador permaneça por muito tempo ao volante, a atenção fica comprometida.

A permanência durante longos períodos em situação de estresse tem várias consequências para a pessoa e para quem está a sua volta. Isto porque, quando a pessoa entra em situação de estresse, o cérebro ativa o sistema nervoso simpático que ativa as glândulas supra-renais, secretando adrenalina e colocando o corpo em ação. “O problema é que, caso a situação persista, as supra-renais secretam outro hormônio – cortisol – acionando o fígado para mobilizar reservas de gordura, gerando açúcar. Aqui está o problema, pois tanto o cortisol como o excesso de açúcar desencadeia um processo de adoecimento”, diz Ana Claudia.

Motoristas que não quiseram se identificar confirmaram a informação de que trabalham mais do que as 10 horas, mas com intervalos. Isso porque em alguns dias o trabalho se estende e em outros a carga é menor para compensar no fim da semana. “Gostaríamos de restabelecer a dignidade dos motoristas, conseguir reduzir a carga horária e estabelecer horário de entrada”, pontua Carlos Alberto. “É muito importante que o próprio assento esteja em boas condições”, pontua o médico João Anastácio Dias. Dias informa que quando o limite da jornada de trabalho é extrapolado isso envolve a diminuição do reflexo, da percepção além do cansaço muscular. Desequilíbrio nervoso devido às cobranças e o estresse também podem ocorrer no ambiente do veículo em situações que não ocorreriam. “As pausas são necessárias para restabelecer a parte cognitiva e muscular”, informa.

Fonte: Rede Integrada de Transporte Coletivo

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