sábado, 11 de fevereiro de 2012

GREVE DE ÔNIBUS EM SÃO PAULO É CANCELADA . Movimento seria de empresários?


A greve de ônibus em São Paulo anunciada para esta segunda-feira, dia 13 de fevereiro de 2012, foi cancelada.

A decisão foi tomada depois de um acordo entre Sindmotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores no Transporte Rodoviário Urbano) e o SPURBANUSS (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo).

Os motoristas e cobradores ameaçaram parar as atividades caso as empresas de ônibus continuassem a descontar dos salários dos motoristas as multas aplicadas pela Prefeitura e SPTrans através do Resam – Regulamento de Sanções e Multas.

As empresas de ônibus se comprometeram a não fazer mais os descontos.

A SPtrans aplica multas por problemas relacionados às empresas, como conservação de veículos, e pela conduta do motorista, como não parar no ponto, falar ao celular ou passar o semáforo fechada. São cerca de 400 multas por dia.

OS trabalhadores se queixam que os valores das multas do Resam são maiores que do Código de Trânsito Brasileiro.

A greve poderia prejudicar mais de 6 milhões de pessoas e paralisaria 32 garagens de ônibus em São Paulo, mas a paralisação foi descartada.

ACORDO ANTES DO ACORDO?

Fontes relacionadas ao setor de transportes na Capital Paulista dizem que todo este movimento contra as multas da SPTrans não partiu apenas dos trabalhadores.

A possível redução no valor das infrações compreendidas no Resam e até mesmo uma suposta orientação para fiscais da SPTrans serem mais flexíveis não beneficia apenas trabalhadores, mas as empresas de ônibus também.

Os descontos nos salários eram feitos caso a irregularidade fosse típica da condução dos veículos: passar farol, falar ao celular, dirigir sem cinto de segurança, etc.

Mas as multas em relação a atrasos, má conservação dos ônibus e não cumprimento do número de frota e viagens exigido eram de responsabilidade única das empresas.

“Vamos ser um pouco inteligentes. Quando o Sindmotoristas falou sobre as multas, logo citou o alto número delas: 400 por dia. Mas veja, se existem multas, é porque existem irregularidades. Pode ter certeza que não agora, mas depois que a poeira baixar, o número de multas contra as empresas vai diminuir. Quem vai se beneficiar com isso? O trabalhador? Não! É o patrão que vai ficar menos sujeito a penalidade” – disse uma fonte que trabalha em empresa de ônibus é é ligada ao movimento sindical, mas que não pode, por razões de segurança ser identificada.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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