sexta-feira, 4 de junho de 2010

SETUF - Carta aberta aos Estudantes

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As empresas do transporte coletivo de Florianópolis vêm, nesta oportunidade, abrir um canal de comunicação com a população da Capital e com os estudantes, que diariamente constroem uma parceria conosco. Esta relação duradoura, que inicia no ensino fundamental, segue até a universidade e continua na vida profissional, envolve tanto os usuários do transporte, as empresas privadas e o poder público, que efetivamente controla o serviço. Por isso, consideramos essencial esclarecer alguns pontos à sociedade, em especial aos estudantes que participam do movimento contra o reajuste tarifário.

O valor da tarifa é um resultado matemático dos custos incorridos no sistema, obtido pela planilha tarifária da Prefeitura Municipal de Florianópolis, que foi periciada pela Justiça Estadual. Esta planilha é um documento público, acessível a todos os moradores da cidade que requererem uma cópia junto à Prefeitura – não há, portanto, nada a esconder da população.

Para se ter uma ideia, o custo real de uma passagem na Capital é de R$ 2,80 – isso antes do reajuste deste mês. A tarifa média reebida pelas empresas é R$ 2,17 (pois há a tarifa social, meia passagem para estudantes e gratuidades diversas) e o subsídio pago pela Prefeitura é de R$ 0,15, somando um valor médio de R$ 2,32. Ou seja: a cada vez que um passageiro passa pela catraca há um prejuízo de R$ 0,38 para o sistema, que é administrado pelas empresas.

A tarifa é resultado de vários fatores:

1) Falta de mobilidade urbana

A cidade cresce, o número de veículos nas ruas aumenta e os engarrafamentos se tornam um incômodo constante. Nos horários de pico, os ônibus andam em média a 6km/h, enquanto o ideal para não provocar atrasos é de 20km/h! Com os ônibus transitando a velocidades reduzidíssimas em função dos congestionamentos, há aumento do desgaste dos veículos, do custo de manutenção e do consumo e combustível.

Nos últimos anos, para compensar o aumento no tempo dos percursos decorrentes dos engarrafamentos, as presas aumentaram o número de ônibus na cidade (eram 402 em 2003, hoje são 466 em circulação), mas a situação é tão crítica que a população não consegue usufruir desta expansão na frota, que foi suficiente apenas para manter os horários oferecidos.

A consequência mais grave é o inevitável aumento nos custos (mais quilometragem, mais frota, mais pessoal, mais combustível, mais peças mas o mesmo número de passageiros), que impossibilitam qualquer investimento na melhoria do serviço.

2) Falta de políticas públicas

Os governos federais e estaduais, dentro de suas competências legais, não têm políticas públicas para o transporte coletivo. Uma saída seria a redução de IPI, COFINS, PIS, ICMS e encargos sobre a folha salarial. Por ser um serviço essencial à população, o transporte público deveria ser incluído na cesta básica do país.

3) Política tarifária

Cabe à Prefeitura determinar a forma de cobrança e os valores da tarifa: integração tarifária plena ou pagamento parcial do segundo deslocamento. A atual política tarifária onera muito os passageiros das linhas curtas, que buscam outras alternativas de transporte – entre elas o veículo particular ou motocicleta – que aumentam os congestionamentos nas vias urbanas e todos os problemas decorrentes.
4) Incentivo ao uso de veículo particular

Enquanto faltam ações para facilitar o transporte coletivo, o governo federal incentivou a aquisição de veículos particulares com a redução do IPI, o que aumentou significativamente o volume de carros nas ruas – e com isso os engarrafamentos.

Por um transporte melhor e mais barato para todos!

Consideramos legítimo o movimento dos estudantes e gostaríamos de ver esta mobilização fortalecida por outras categorias na luta por um transporte melhor e mais barato, atuando diretamente nas causas que constroem um sistema de transporte coletivo e eficiente. A questão tarifária é, como falamos, um resultado matemático em função das condições políticas e econômicas de funcionamento do serviço.
É preciso lutar pelo incentivo ao transporte coletivo sobre o individual, priorizando a circulação por corredores ou vias exclusivas e defendendo uma tributação federal e estadual mais justa que resulte em benefícios diretos aos usuários.

Florianópolis, 27 de Maio de 2010
SETUF
Sindicato das Empresas
do Transporte Urbano
da Grande Florianópolis

Matéria: Diogo C. Silva - Mobilidade Urbana.

Boa notícia para a Busscar

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Após reunião com Lula, gabinete confirma que governo federal vai tentar encontrar solução para a crise

Uma boa notícia para a empresa Busscar Ônibus chegou ontem do Planalto do Planalto, em Brasília. O gabinete da Presidência da República confirmou, depois de reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, que a expectativa do governo federal é encontrar uma solução viável para a empresa e para os trabalhadores.

Lula e Carvalho discutiram nesta quarta-feira a proposta do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a reestruturação da Busscar. A empresa de Joinville tem aproximadamente R$ 270 milhões em dívidas. Além disso, os cerca de três mil funcionários da empresa de Joinville estão entrando no segundo mês sem salários e ainda não receberam o 13º do ano passado.

Na semana que vem, representantes do BNDES e de bancos credores da Busscar também vão se reunir para conversar sobre a situação da fabricante de carrocerias. A conversa entre os bancos é necessária para que se façam outros encaminhamentos sobre a recuperação da Busscar.

Na próxima terça-feira, a Busscar também tentará, mais uma vez, avançar nas negociações com o BNDES em busca de reestruturação de crédito com base na venda de veículos para a Guatemala. A ideia da empresa é antecipar metade dos US$ 115 milhões (cerca de R$ 210 milhões) que serão gerados com a exportação de 1.350 ônibus para o país da América Central.

Com esse dinheiro, seria possível, por exemplo, produzir os veículos, pagar todos os salários atrasados até hoje e dar início a uma recuperação, pois haveria atração de outros clientes. Assim, a empresa acredita que teria produção garantida até o final do ano.

Com informações: A Notícia

Vândalos apedrejam cinco ônibus (Grande Florianópolis)

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Passageiros de cinco ônibus que transitavam pela BR-101 na noite de quarta-feira, véspera de feriado, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, viveram momentos de tensão. Cinco coletivos tiveram os vidros apedrejados. Um motorista ficou ferido. A ação, semelhante a usada por assaltantes que tentam fazer veículos pararem para roubar os ocupantes, é tratada pela polícia apenas como vandalismo. Ninguém foi preso.

Há dois anos os ataques ocorrem com intensidade na mesma região e em dias de feriadão. Na quarta-feira, os ônibus que seguiam no sentido Sul-Norte voltaram a ser atingidos entre 20h e 20h20min nos kms 201 a 197. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrou bolas de gude e pedras dentro dos ônibus. A suspeita é que esses objetos foram arremessados com estilingues.

Um deles acertou o parabrisa e o rosto do motorista, que precisou ser medicado. Foram atingidos ônibus de linhas das empresas Catarinense, Pluma e Eucatur. Após os ataques, a PRF escoltou os coletivos que passavam pelo trecho, que é bastante movimentado e tem áreas urbanizadas nas margens da pista.

A polícia afirma que há risco de tragédias no trânsito caso algum motorista seja atingido gravemente.

Os crimes são investigados por policiais do setor de inteligência da PRF, e pela Polícia Civil de Biguaçu. O DC tentou contato com a delegacia de Biguaçu ontem, até as 18h. O delegado que ficará responsável pelo caso não estava. Ele volta a trabalhar apenas na segunda-feira, devido ao feriado.

Especialista em transporte aponta soluções para melhorias da mobilidade urbana em Florianópolis

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O diretor da empresa de Transporte Metropolitano de Barcelona (TMB), Daniel Saez, visitou a Câmara de Vereadores de Florianópolis nesta terça-feira e apresentou aos técnicos da prefeitura como funciona o transporte coletivo de Barcelona, considerado uma referência mundial.

Depois de conhecer o sistema de ônibus de Florianópolis, Saez apontou possíveis soluções para melhorias da mobilidade urbana e volta à Espanha com uma proposta de colaboração com a prefeitura da Capital.

— Nossa intenção é compartilhar com Florianópolis as soluções que apontamos para melhorar o transporte em Barcelona — afirma o especialista em trânsito.

A TMB faz trabalhos de consultorias para cidades em diversas partes do mundo, como Porto (Portugal) e Bogotá (Colômbia). O primeiro contato com a empresa foi feito em abril, durante uma viagem do presidente da Câmara dos Vereadores, Gean Loureiro, à Espanha, quando Saez foi convidado a visitar Florianópolis.

Semelhanças com a Espanha

Saez se reuniu com o vice-prefeito, João Batista Nunes, visitou a Câmara de Vereadores e conheceu os terminais de integração de Florianópolis. Para ele, a capital catarinense possui muitas semelhanças com Barcelona no que diz respeito ao volume de trânsito e ao crescimento da cidade.

O principal problema observado pelo diretor espanhol foi a grande quantidade de veículos particulares. Para o vice-prefeito, a visita do especialista é fundamental para subsidiar ações do poder público da capital.

— Essa troca de experiências é de extrema importância. Muitas pessoas costumam criticar o sistema, mas ninguém aponta soluções e é isso que estamos buscando — disse o vice- prefeito.

Cinco pontos que costumam melhorar o transporte:

1. Menos carros

O principal problema de mobilidade em cidades de médio e grande porte é a quantidade de veículos particulares nas ruas. Para mudar esse quadro, ele afirma que as empresas de transporte público precisam ser capazes de convencer as pessoas a deixarem o carro na garagem e usarem os ônibus e trens, se houver. Apesar de ter chegado terça a Florianópolis, ele percebeu esse problema na cidade — para uma população de 408 mil habitantes, a frota de automóveis é de 183,3 mil veículos.

2. Agilidade

O primeiro passo para fazer com que mais pessoas andem de ônibus, de acordo com Saez, é melhorar a eficiência do transporte, fazendo com que ele seja mais rápido. É preciso passar a ideia de que o passageiro não ficará esperando por muito tempo para pegar o ônibus, mostrar que ele chegará mais cedo ao seu destino se for de ônibus e que o transporte coletivo é mais sustentável do que o individual.

3. Caminho livre

Em Barcelona, na Espanha, uma das medidas que está sendo estudada para melhorar o transporte coletivo é a implantação de um sistema de onda verde nos semáforos, para que a passagem dos ônibus seja facilitada. É uma opção que deve ser estudada para Florianópolis.

4. Traçado

Melhorar o traçado das linhas existentes, estudar qual a distância entre os pontos de ônibus e definir que locais da cidade têm maior demanda são fundamentais para aumentar a eficiência do transporte. Em Barcelona, a empresa Transports Metropolitans está fazendo esse tipo de levantamento e a ideia de Saez é que em Florianópolis se faça o mesmo — caso a parceria com a prefeitura seja fechada.

5. Mais alternativas

É possível implantar outros sistemas de transporte público na cidade a partir de um estudo. Segundo o diretor, para isso é necessário avaliar qual a quantidade de usuários de Florianópolis e com isso definir a alternativa de transporte que se adapta melhor às necessidades e a realidade da cidade. Duas opções mencionadas por Saez são o BRT (Bus Rapid Transit), sistema de ônibus implantado em Curitiba, e o "tramway", tipo de trem elétrico.

Outros especialistas já passaram pela cidade

Saez não é o primeiro especialista a visitar a capital catarinense para avaliar o sistema de transportes. No último final de semana, o arquiteto e urbanista espanhol Josep Acebillo, responsável principal pelo planejamento de Barcelona para receber os Jogos Olímpicos de 1992, também esteve em Florianópolis.

No mês de abril, técnicos do escritório do arquiteto Jaime Lerner vieram a Florianópolis para um encontro com representantes da prefeitura. Eles discutiram o sistema ônibus BRV (Bus Rapid Transit), implantado na cidade de Curitiba.

O transporte público da capital catarinense é frequentemente criticado por ser lento, pouco eficiente e caro. Atualmente, a passagem de ônibus do sistema integrado é de R$ 2,95 para quem paga em dinheiro e R$ 2,38 para quem tem cartão.